“Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar.”
(Oswaldo Montenegro)
Sonhar é para poucos. Amar, para talvez ninguém. Há uma ética capitalista pequeno-pequeno-burguesa que limita não só nossas viagens em terrenos reais (a passagem inacessível, a burrocracia que nos segura por uma suposta segurança, o trem sempre lotado demais, o tempo curto para tantos périplos), mas também nossos passeios (imprescindíveis) no campo do onírico. Não há tempo. E toquemos a marcha pra casa, que já é hora de banho e salgado devorado às pressas antes de outro ônibus e outro emprego. Pode ser que entre esses vai-e-vens surja o amor que nos abrigue em seu colo de fuga e sonho. Mas é tudo tão impossível nessa terra em que nada frutifica: as veredas do imaginário se estreitam a cada passo. Amar é para poucos. Sonhar, para talvez ninguém.
Um comentário:
Eu sonho bastantão! MAs talvez por isso mesmo eu tenha gostado bastante desse texto... meio paradoxal, mas... gostei mesmo.
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