quinta-feira, 24 de maio de 2007

Sobrancelha depilada, unha pintada de vermelho Ferrari, corpo equilibrado em saltos-agulha afiados. Bolsas recheadas de absorventes e gloss. Calças justas, barriga pra dentro e peito pra fora, um dois um dois. Às vezes cansa. Para Vinicius, toda mulher tem de ter um quê de Maria: feita para amar e para ser só perdão. Para Chico, mulherão é a ateniense. Noel sofre com a malícia feminina, e Caetano atalha: "Como pode querer que a mulher vá viver sem mentir?". Anas e Amélias cantadas e encantadas, princesas de contos da carochinha e putas bem reais. Petrificadas, cristalizadas. Às vezes cansa. Somos muié pra mais di metro – apesar dos saltos-agulha e das sandálias plataforma. Mulheres finas – não obstante a eventual lasanha de domingo e o milk-shake a mais na lanchonete. Guerreiras – a luta contra as baratas e contra a tampa levantada do vaso continua. Antes de tudo, a combinação de X e X. Acima de todos, um pouco mais de nós mesmas. Apesar do cansaço.

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