terça-feira, 29 de maio de 2007

“Onde paras tu, ó Imprevisto, que vestes de cor-de-rosa tantas vidas?”
(Florbela Espanca)

São os encontros marcados em dias de chuva e os desencontros vários a qualquer tempo. As declarações de amor e ódio suscitadas pelos mesmos detalhes ínfimos. O susto diante de certos inesperados braços abertos em nosso aniversário. O e-mail que esquecemos de olhar e a grande proposta de emprego, perdida. Os quilos a menos na balança, não obstante a ceia de natal. Os centímetros a mais na cintura, apesar das dietas milagrosas. As rosas que vêm sem data que as peça. É o carro que quebra na estrada, a perna quebrada no tombo, o nariz quebrado do primo pela nossa impaciência, a promessa quebrada diante da nossa tão comum humanidade. São as quebradas da vida, para as quais não bastam a ginga malandra e algum balé sublime: ousar o impossível é a única atitude racional e talvez eficiente.

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