terça-feira, 29 de maio de 2007

Não, as coisas de que preciso não se parecem: minhas necessidades são antônimas, apesar de irmanadas pelo meu desejo vão. Quero alguma claridade para a minha apagada lâmpada de idéias e alguma escuridão que me proteja deste sol desavergonhadamente explícito chovendo lá fora. Um pouco de doce no paladar e na vida e o cheiro salgado da maresia invadindo meu apartamento tão paulistano. Quero ainda o quente de uma criança no colo e o vento frio que fustiga rosto, pernas e braços, desalinhando cabelos e roupas – e não a temperatura controlada e bem-comportada dos assépticos ares condicionados. As dores necessárias para um prazer maior. Os risos chorados, as brigas fraternas, o branco sujo da inocência que restou. E lutando pela paz que não tenho, somo todos estes anseios sem nunca atingir síntese ou âmago. Ainda assim, vou amando esse caminho incerto que sigo entre o emaranhado de linhas das palmas.

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