quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Onde não brotava mais amor, ergueu sua casa: mansão rigorosamente construída sobre um chão sem história. Os dias se passaram, entre noites insípidas e tardes etéreas: aos poucos, ela se volatizava, uma quase não-presença cercada pelo mármore rigoroso. Uma vez fértil, porém, o solo é berço natural de ervas-daninhas - a paixão e o desejo surgiram como pragas de seu quintal, uma trepadeira enorme que avançava ruir toda a estrutura do casulo. O tempo foi de luta, de presença, seu corpo novamente inteiro e afoito em busca da extinção dos sentimentos teimosos, arredios à colheita. Embate vão, as sementes do amor ido brotaram novamente, submergindo o castelo e abandonando sua proprietária ao deserto mais intenso.
Ele prometera. As palavras, contudo, fluíam de sua boca, elogios sutis, carícias derramadas sobre outros ouvidos, os beijos apenas desejados. Ela era seu pão de todo dia, a mulher de sempre, seu sexo banal e casual: frequente demais para ser lembrada, presente em excesso para o nascer da vontade. Cristal rompido, cacos sonoros estalando pela sala empoeirada: para quem se conhecera pelas cartas de amor, a traição das palavras era a mais certeira. Contudo, a estabilidade e os pesos mútuos: continuou onde estava e seus pés aprenderam a se equilibrar entre os pedaços do vaso partido.
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Melhor ser a outra do que ser sempre a mesma, sempre.