Afundo no Lago dos Cisnes procurando o Reino das Águas Claras e as vinte mil léguas submarinas, perdidos, perdidos. A profunda melodia (abstrata, irreal) me tira para dançar. Passos e compassos, o pathos do conto de fadas que nunca vivi. Tchaikovsky me oferece a mão delgada dos fantasmas e me leva pelos arriscados atalhos da menina com o balaio de doces, pelos excêntricos palácios de uma terra de lâmpadas do desejo, pelos bosques dos encontros secretos que terminam em morte ou na perpetuação de uma linhagem de sangues azuis. Hoje me basta um atalho para o trânsito das seis. Uma lâmpada que não se apague enquanto escrevo. Um romance que não termine no divã.
Nenhum comentário:
Postar um comentário