“Enquanto for um terço meu...”. Enquanto for um terço de mim. Enquanto for o meu meio de vida, de transporte e de comunicação (incluo aqui nossas horas de silêncio necessário e um ou outro monólogo perdido). Enquanto for meu inteiro, ainda que partido (e o que não é fragmento e memória nos dias que vão?). Enquanto for um quarto pouco para os nossos encontros em corpo e sonho. Enquanto for um quinto de paraíso e um sexto sentido que me oriente nos meus caminhos mal traçados e mal vividos. Enquanto for um sétimo sono, uma sétima vida, um sétimo pecado original. Enquanto for um terço e uma oração sussurrada no desespero. Enquanto rodarem os cristais baratos dentre meus dedos. Enquanto entoar cansada porém com alguma convicção minhas Ave, Marias. Enquanto houver uma mínima espera e um parco sopro de esperança. Enquanto torço e temo neste terço.
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