“Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais.”
(Oswaldo Montenegro)
E ainda essa vez os reencontros – comigo, contigo, consigo (às vezes). Eternos despertares para o mundo, nem sempre indolores. No tempo tênue, os mesmos reencontros se repetem – por ironia, na mesma esquina, diante das mesmas pessoas – com uma nova lição ou desaprendizagem nova. Os amigos perdidos que reaparecem na nossa sala e no álbum de retratos. E também a velha amiga de infância que nos faz atravessar a rua a fim de evitar o sorriso amarelo e constrangido. Por vezes, ela pode ter igual idéia, e ao nos pilharmos conjuntamente em falta, retomamos o elo amigo perdido entre café e gargalhadas. No mais, pouco resta e as fênix já não podem renascer de tanta cinza acumulada. As reuniões de 10 anos de fim de colégio só satisfazem a uma curiosidade maligna e ao nosso velho instinto difamador. No menos, os diálogos com velhos amigos e amores não passam de necrológios. Abafem os discursos moralistas de amor sem fronteiras: amigo, só o que tem o ombro molhado de choro e que bate na minha porta pedindo um pouco de açúcar e atenção.
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