quarta-feira, 30 de maio de 2007

“Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais.”
(Oswaldo Montenegro)

E ainda essa vez os reencontros – comigo, contigo, consigo (às vezes). Eternos despertares para o mundo, nem sempre indolores. No tempo tênue, os mesmos reencontros se repetem – por ironia, na mesma esquina, diante das mesmas pessoas – com uma nova lição ou desaprendizagem nova. Os amigos perdidos que reaparecem na nossa sala e no álbum de retratos. E também a velha amiga de infância que nos faz atravessar a rua a fim de evitar o sorriso amarelo e constrangido. Por vezes, ela pode ter igual idéia, e ao nos pilharmos conjuntamente em falta, retomamos o elo amigo perdido entre café e gargalhadas. No mais, pouco resta e as fênix já não podem renascer de tanta cinza acumulada. As reuniões de 10 anos de fim de colégio só satisfazem a uma curiosidade maligna e ao nosso velho instinto difamador. No menos, os diálogos com velhos amigos e amores não passam de necrológios. Abafem os discursos moralistas de amor sem fronteiras: amigo, só o que tem o ombro molhado de choro e que bate na minha porta pedindo um pouco de açúcar e atenção.

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