quinta-feira, 24 de maio de 2007
Banho com sal grosso, toda semana – exfolia a pele e lava a alma, repondo alguma energia fundamental. Arroz com feijão, todo-o-dia, até como acompanhante da macarronada domingueira. Tragédia, toda noite, filtrada pela voz pasteurizada da apresentadora do telejornal. Absorvente, todo mês; absorção do que não desejo, toda hora. Porque muito pouco do que eu quero eu realmente tenho. Pastel de queijo e orégano, toda feira; Codinome Beija-Flor, todo mal-feito caso desfeito; a primavera vivaldiana, toda a vida. Mãos dadas e choro no ombro, nem todo amigo. Liberdade e encontro, nem todo orgasmo; epifania, nem todo apocalipse; compreensão, nem todo ouvido. Porque muito pouco do que eu tenho eu realmente quero.
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