quinta-feira, 24 de maio de 2007

Pulsos em brasa

Ana Fabíola olhou estupefata para os próprios pulsos em brasa: a vida jorrava deles com um fulgor de chama. Desesperou-se: o instinto animal (que, no fim, é a única justificativa para todos nós) já rasgava com os dentes a bata esfuseantemente branca e a atava com uma força jamais vista àquela extremidade do corpo que não mais lhe pertencia. Era tarde para sentir dor e ela sabia que estava irrecuperavelmente talvez salva. Beijou Nossa Senhora das Dores de Todos Nós pendurada no cordãozinho da pulseira de um amarelo gasto e evanesceu.

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