quinta-feira, 24 de maio de 2007
Assumo o papel de filha com resignação e algum complexo freudiano, o de sobrinha e prima com a distância necessária, o de amiga com a alma aberta, o de proprietária com a mão fechada, o de agregada com o rosto baixo, o de leitora com algum amor. Piso no sujo palco do meu cotidiano, carregando todas as minhas máscaras nos meus braços enlaçados em cruz. Entre um ato e outro, às vezes posso me confundir e vestir o dominó errado. Aflita com uma distração tão humana, rasgo a fantasia – à unha – e procuro na minha bagagem confusa o rosto adequado para o momento já passado. Me vejo nua no palco, diante do público enfastiado com a farsa. Diante de mim, nua. Minha alma pesa – não me identifico com a imagem que se reflete na poça da maquiagem derretida.
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