“E é sempre a chuva nos desertos sem guarda-chuva(...)”
Ela esperava. Atenta. Paciente. Na sala vazia de móveis e de cores, o silêncio denso. Apenas sua respiração e as engrenagens do eterno relógio. Um fio de voz – talvez um suspiro angustiado, nada é certo – às vezes emanava de sua figura, sempre mais curvada pelo tempo: uma corcunda de dor e expectativa. E nada. Nada. Nem um sopro de vento favorável, nem a mão do Criador estendida em ajuda e caridade. Contudo, ainda assim, a espera. Acreditava no Impossível: era o que bastava.
“ O mais é barro, sem esperança de escultura.”
(Carlos Drummond de Andrade)
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