quinta-feira, 24 de maio de 2007

Eros e Thanatos. Amor e morte caminham juntos. Que é o sexo? Um corpo se debatendo sobre outro. Que é a morte? Um corpo se debatendo solitário. A diferença é meramente numérica. Talvez, porém, na morte a solidão seja menos intensa e haja alguma espécie de encontro profundo, para além da superfície. Andando de mãos dadas, amor e violência. Violência é invasão – seja espacial, material ou metafísica. O amor é invasivo por princípio e nos torna inválidos por conseqüência. Inválidos para a vida e para o próprio amor, especialmente o próprio. O amor violento – pessoas se invadindo; diários, chaves e sexos compartilhados; o direito de ir e vir submetido a vontades ditatoriais; nosso corpo adestrado em função de um terceiro, de um quarto e de um quinto: a violência do amor que não é para sempre. A violência de um amor preenchido por lacunas de ódio na velhice inquieta – o amor cruelmente eterno.

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