terça-feira, 29 de maio de 2007

A obsessão do recomeço: nas eternas promessas de ano novo, nas decisões de SPA e vida saudável diante da balança de farmácia, na tintura de um cabelo novo para uma vida que se reinicia após o rompimento do velho amor. As contagens regressivas. E o despertador programado para caminhadas matinais, antes do trânsito e do trabalho. Deixamos o aparelho no silencioso. Não, que barulho demais de nada serve: apenas anuncia em altos brados a vergonha do ato falho. Das juras tão distantes das palavras de honra de antigamente. E vira tudo pó e arrependimento na cama de hospital. Uma última pressa, uma última prece: e já não há nada.




Publicado no livro da Tribo 2012

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