“Haja hoje para tanto ontem.”
Tão pouco espaço na minha bagagem: e ainda a irritante mania de preparar a mala com a carona já buzinando na porta. Levo na bolsa os conselhos da mãe, os medos do pai; as expectativas e as convenções da parentela toda; as esperanças dos amigos, uma coleção de casos mal-resolvidos, as anotações da aula de sintaxe e uma canção da Marisa. Resta uma lacuna ou outra na mochila, que ocupo com balas de menta e o dinheiro (sempre contado, minguado) da passagem. É hora de ir. E o meu maior desejo é deixar esses pacotes todos na primeira esquina, descalçar os sapatos e seguir de mãos abanando, sem lenço, documento e guarda-chuva: que venha a garoa, o imprevisto e a liberdade.
PUBLICADO - LIVRO DA TRIBO 2009
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