sexta-feira, 6 de julho de 2007

“E a alegria cedeu lugar ao tédio vulgar da vida cotidiana e ao sentimento de uma perda irreparável.”
(Anton P. Tchekhov)

A perda e o perdão extraviado. Não sei me absolver de nenhuma das 16 acepções dicionarizadas do verbo dos perdedores. Seja o ônibus, a tarrachinha do brinco, o lugar ou o amigo amado... a culpa é dolorosamente minha. Por mais que insista no sorriso social diante do “Tudo bem?” cotidiano... por mais que diga que cheguei a tempo, que comprei um brinco com gancho, que arranjei outro... por mais que brigue para sempre com São Longuinho – até a próxima vez em que me trancar novamente dentro de casa... não, não está nada bem. Na verdade, não agüento mais espalhar migalhas pros pássaros toda vez que tento achar o caminho de volta. Quero me livrar da sina de Pequeno Polegar e de Alice no labirinto dos espelhos. Pra ser sincera mesmo (posso?), ser ou ficar privada de; cessar de ter ou deixar de sentir; sofrer a perda, o prejuízo de; não aproveitar; ter mau êxito em e as outras onze acepções do verbete já andaram por tempo demais sapateando sobre os meus projetos de vida. Cansei de entoar a “Psicologia de um vencido” como hino...eu quero as batatas do Quincas Borba! Eu quero ser mais que uma Macabéa nessa cidade fria! Eu quero as minhas tarrachinhas de volta! Ah, São Longuinho... me ajude a me encontrar que te darei três pulos.

“Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.”
(Carlos Drummond de Andrade)

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