Hoje não estou com ânimo para trocadilhos. Guardo minhas infâmias para a próxima oportunidade. Hoje Deus que me livre das literaturas. Deixo a poesia da vida para quem sabe lidar com ela. Dispenso os lirismos e o pôr-do-sol memorável: quero só mais um dia de café amargo, escritório fechado, marmita fria e conversas formais pelo telefone. Não quero saber de realidade que não seja a mesquinha e cotidiana: ao menos por hoje. Um trabalhozinho vulgar pelo salário medíocre, amizades de corredor e um cinema ao fim do mês: mais nada. Saber que posso mais dói muito. Hoje aposento minha camiseta do Che e os meus cds do Chico. Cansei de lutar pela paz que nunca alcanço. Hoje, quero só o meu casulo... e que se exploda o mundo.
Publicado parcialmente no Livro da Tribo 2012
Nenhum comentário:
Postar um comentário