sexta-feira, 6 de julho de 2007
Enquanto espero a água do chá ferver para acalentar mais uma madrugada, tento um qualquer assunto para rabiscar aqui. São minhas pseudo-pretensões literárias em ação e a busca por uma disciplina mínima: ao menos uma linha por dia. Vamos lá, Carina: conte sobre as suas paixões novas e a insistência em cometer os erros velhos; pode falar sobre essa sua incapacidade brutal em seguir qualquer ordem na rotina; sobre essa sua inconstância não obstante a permanente sensação de fracasso. Isso, menina, vamos lá: nos relate a sua impotência. Queremos os detalhes mais sórdidos: quantas vezes você negou ajuda por preguiça? De quem você fala mal pelas costas? Quem você bajula pelo status? Qual é o seu preço? E o seu ponto fraco? Desabafe, sim, pode chorar. Se descabele, se desespere, que faz bem à saúde. Aliás, que saúde? Você realmente pensa que essas caminhadas matinais e incrivelmente esporádicas são suficientes para curar a sua cólica, a sua gripe, o seu mais novo vício por cafeína? Chore, Carina, chore. Não há mesmo muito remédio para você, menina. Derrame todas essas lágrimas sobre o teclado e erga a taça dos vencedores que escrevem ao menos uma linha diária. Parabéns, você conseguiu. O prêmio é seu. Agora vai tomar de vez esse chá e dormir: você merece.
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