sexta-feira, 13 de julho de 2007

“Vamos começar/ colocando um ponto final”.
(Paulo Moska)

A idéia do eterno recomeço, a cada fim de ano, a cada fim de semana, a cada sol poente, me cansa, me enfastia e me esperança. Apesar do conflito de não ser deveras o que planejei ser, o que seria de mim (de nós), sem a permissão divina de a todo instante passar a vida a limpo? Sei que o papel em branco da versão definitiva é já rascunho: depois de um certo tempo, aprende-se a lidar com o fato de o ideal vir sempre com os pés sujos de lama. Uma vida nova me espera e me espreita a cada esquina, soprando seu mudo convite. Mas a amnésia ainda não me atingiu em cheio com seu vaso de flores caído do último andar: manchando o meu lençol mais alvo do enxoval para celebrar esse encontro tão esperado entre minhas metades desiguais, as nódoas dos vícios do hábito e da perversão.
Ponto. Qualquer passo em direção ao novo pressupõe o retrocesso. Somos caranguejinhos a povoar as palmas de algum deus perdido: postar-se à frente, seguir em linha reta visando a glória é fantasia hollywoodiana. Sendo assim, comecemos já do ponto final: sem pausas para vírgulas parágrafos interrogações. Especialmente sem espaço (os dois dedinhos da aula de português viraram tecla – e uma só) para os parágrafos, que eu tenho medo da lacuna e dos vazios. E ponto.

“Pelo menos já é um sinal/ de que tudo na vida tem fim”.
(Paulo Moska)

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