sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Você andou me escondendo coisas demais... Poxa, como é que você se apresenta assim, mal dizendo o nome, me ocultando seu medo de chuva, seus vinte e poucos anos, sua cor favorita, sua predileção por Beethoven? Como você aparece do nada e muda tudo? Por causa de você tive de trocar os móveis da sala de lugar, colorir meu quarto, jogar fora minha orquídea de plástico e comprar um vasinho de violetas. Vou te falar: você me dá um belo de um trabalho. Por você coloco estantes e cabelos em ordem a fim de causar alguma boa impressão, uma memoriazinha que seja, você já não se lembra de mim? Eu sou aquela umazinha que te segue pelos becos, que rouba seus diário e que sonha em te seqüestrar. Nenhuma recordação? Mas olha aqui, eu estampei sua foto na minha camisa, tatuei seu nome na testa, eu pichei poemas de Florbela no seu muro. Nada ainda? Mas como, se quem se esconde é você? Eu me mostro, me declaro, me dispo, saio cantando quiçá nossa música na chuva: eu só quero que você siga/ para onde quiser/ que eu não vou ficar muito atrás... Ah, você já vai? Não é cedo ou tarde demais? Nada ainda? Não, não me incomodo: pode ir. Quem sabe em outra esquina.
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