sexta-feira, 3 de agosto de 2007

“Tristeza não tem fim... felicidade, sim.”

O espelho não lhe dizia muita coisa. Sem eufemismos e a hipocrisia das conversas de fila para o emprego – não dizia. Com a princesinha pálida tudo era tão simples! Não, não precisava ser a mais bela – já se acostumara a passar anônima dentre a multidão. Além de que, ultimamente, até via certa graça no seu ligeiro estrabismo. No fundo e antes de todas as coisas, seu único desejo era uma companhia, qualquer uma. Escutar um bom-dia resmungado entre um bocejo e outro. Raclamar da cueca pendurada na torneira do chuveiro. Receber um cartão que fosse a cada novo inverno completado. Olhar seu reflexo e visualizar além um vulto esfumaçado com seu café frio a meditar, semblante rígido, sobre o próximo sorteio da Tele Sena.

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