quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Onde não brotava mais amor, ergueu sua casa: mansão rigorosamente construída sobre um chão sem história. Os dias se passaram, entre noites insípidas e tardes etéreas: aos poucos, ela se volatizava, uma quase não-presença cercada pelo mármore rigoroso. Uma vez fértil, porém, o solo é berço natural de ervas-daninhas - a paixão e o desejo surgiram como pragas de seu quintal, uma trepadeira enorme que avançava ruir toda a estrutura do casulo. O tempo foi de luta, de presença, seu corpo novamente inteiro e afoito em busca da extinção dos sentimentos teimosos, arredios à colheita. Embate vão, as sementes do amor ido brotaram novamente, submergindo o castelo e abandonando sua proprietária ao deserto mais intenso.
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